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A
secular arte da Dança Oriental tem uma história longa
e cheia de nuances, sua origem se perde no tempo dos misteriosos e
antigos cultos à fertilidade, não tem data nem lugar
de origem certos e sofreu modificações em seu caráter
através do tempo, mas conseguiu guardar sua pura essência.
Ela é conhecida por muitos nomes: na Grécia como Cifte
Telli, (nome também de um ritmo turco), na Turquia como Rakkase
e no Egito como Raks el Sharki.
Aqui no Brasil a dança não tem outro nome além
de Dança do Ventre, mas as grandes bailarinas americanas abominam
esse nome (Belly Dance) e para a famosa bailarina e pesquisadora americana
Morocco esse nome é tão pejorativo quanto chamar a Dança
Flamenca de "Dança de Matar Baratas". "Middle
Eastern Dance" ou "Oriental Dance", Dança do
Oriente Médio ou Dança Oriental respectivamente, seria
a correta maneira de se referir à dança.
A
Dança do Ventre não é o que a sociedade ocidental
pensa, uma dança de sexo e sedução. Essa é
uma crença ignorante e errada reforçada por escritores
preguiçosos demais para pesquisas mais profundas. Ainda segundo
Morocco, a Dança Oriental está diretamente ligada não
só à fertilidade mas principalmente, à maternidade.
Ela descreve em seu artigo Roots (Raízes)
sua experiência em uma tribo africana onde presenciou um ritual
de nascimento onde todas as mulheres da tribo se juntavam num círculo
em torno da parturiente imitando com seus ventres, os movimentos de
contração do útero estimulando a futura mãe
no momento do parto. Esses movimentos seriam os primeiros exercícios
de preparação para o parto de que se tem notícia,
sendo a base do método LaMaze para o parto sem dor utilizado
por alguns médicos e terapeutas.
A
Dança do Ventre é própria para o corpo feminino
tendo como destaque os músculos abdominais e os movimentos
de quadril e torso. Dançada, normalmente, descalça para
maior contato com a mãe-terra é caracterizada pela suavidade,
fluidez e por movimentos sensuais alternando com os tremidos e as
batidas fortes de quadril. Essa dança pode trazer muitos benefícios
quando praticada corretamente, não só benefícios
físicos como também emocionais, sensações
e sentimentos que muitas vezes estão escondidos no nosso íntimo.
Muitas mulheres ficam surpresas ao se descobrirem lindas e sensuais
executando simples movimentos de braços e mãos se sentindo
mais femininas, mais mulheres. Porém, há um lado mais
obscuro que muitos desconhecem. A Dança do Ventre nos abre
canais emocionais muito fortes que estão ligados diretamente
ao nosso ego e isso muitas vezes faz emergir sentimentos e atitudes
até então desconhecidos. Sentimentos de egoísmo,
de inveja, de orgulho e altivez surgem não só entre
alunas, mas especialmente entre profissionais. É muito importante
manter a humildade, a simplicidade e principalmente o respeito pela
colega e não se deixar levar pelos brilhos e pelas luzes, pois
não é esse o verdadeiro espírito da dança.
A
Dança do Ventre não pertence a ninguém, ela é
patrimônio da humanidade!
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