O Princípio




Egípcia

"O nosso corpo é a nossa primeira forma de expressão, antes mesmo de emitirmos um som, nos comunicamos através dele."

             
             Várias são as hipóteses sobre quando e onde surgiu a Dança Oriental. A mais divulgada é a de que ela originou-se no Antigo Egito praticada em rituais à Deusa da Fertilidade e tinha o nome de Raks el Shark ou Dança do Leste, sendo que uma outra civilização, mais antiga que a egípcia, a dos sumérios, já praticava um tipo de dança-ritual em homenagem a divindades femininas.
              No entanto, foram encontrados registros que nos mostram sua existência na Grécia Clássica, Índia, Pérsia e Turquia, o que confirma sua origem em diferentes lugares. Os gregos por exemplo, adoravam a Deusa Artemis e jovens preparadas para servi-la, eram levadas ao seu templo onde praticavam rituais de dança e música em sua honra. Na Índia as "devadasis", "servas de Deus", dançavam nos templos e eram consideradas sagradas. Mais tarde, essas dançarinas ficaram conhecidas como "bayaderes" e surgiram também em outros países.

              Com a invasão do Egito por outros povos, o surgimento do Cristianismo na Grécia, a decadência do império hindu e conseqüente poder dos ingleses na Índia, as danças rituais foram sendo aos poucos banidas para a periferia das grandes cidades, fosse por motivo religioso ou político. Os povos ciganos foram os maiores responsáveis pela difusão da dança por outros países e povos, levando-a a sofrer influências e perdendo seu caráter estritamente religioso.
             
             No Ocidente foram os franceses que descobriram a dança oriental, e chamaram-na de "danse du ventre" ou dança do estômago. Porém a Dança Oriental só ficou conhecida, e de maneira desastrosa, em 1893 na famosa Feira Mundial de Chicago, nos Estados Unidos, quando foram trazidas dançarinas do Extremo Oriente para se apresentarem. Naquele tempo em que a mulher se cobria dos pés à cabeça, culturas étnicas de outros povos, eram consideradas "primitivas" e "não civilizadas". Imaginem o que foi, ver dançarinas orientais no palco com roupas coloridas e esvoaçantes, ondulando o corpo de forma lânguida e vibrando o quadril ao som de tambores, movimentos naturais para elas. Os americanos puritanos, chocados, acharam a dança espalhafatosa e lasciva. Um verdadeiro escândalo!

             O nome Dança do Ventre viria a surgir mais tarde quando o nome foi traduzido do francês para o inglês Belly Dance. Passou a ser divulgada, de maneira distorcida, na década de 20 através do cinema americano em filmes fantasiosos sobre sheiks e haréns.

             Hoje, a Dança do Ventre é praticada por muitas mulheres e vem conquistando cada vez mais espaço e adeptas de todas as idades e nacionalidades.

             Essa dança singular que evoca a beleza e a feminilidade da mulher, infelizmente ainda não conquistou o respeito que merece.

 

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