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A Dançarina de Shamahka
"Uma
noite no Cairo, com olhos absolutamente incrédulos eu vi
, a sagrada dança de meu povo degradada na mais absoluta
bestialidade, causando-me horror e revolta.
É
o poema de dor e mistério da maternidade que todo verdadeiro
asiático assiste com reverência e humildade, nos longínquos
cantos da Ásia onde o sopro do Ocidente ainda não
penetrou. Nessa antiga Ásia onde a dança se manteve
na sua pureza mais primitiva ela representa a maternidade, o mistério
da concepção da vida, o sofrimento e a alegria com
que uma nova alma é trazida ao mundo.
Poderia
algum homem, nascido de uma mulher, contemplar esse objeto sagrado
expresso numa arte tão pura e ritualística como nossa
Dança Oriental, de outra maneira que não numa reverência?
Na Ásia , essa é nossa veneração pela
maternidade, onde muitos países e tribos têm seu juramento
mais solene feito sobre o ventre, pois é lá a sagrada
taça que alimenta a humanidade.
Mas
o espírito do Ocidente tocou essa sagrada dança e
a transformou na infame "danse du ventre". Para mim, são
revelações nauseantes da bestialidade escondida nas
profundezas da alma humana, para outros é diversão.
Eu ouvi os risos abafados dos europeus. Eu vi os sorrisos lascivos
até nos lábios dos asiáticos, então
eu fugi."
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Texto
escrito no século XIX pela dançarina persa Armen Ohanian
ao se deparar pela primeira vez com uma vulgar apresentação
de Dança do Ventre.
Tradução: Claudia Offner
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